Deixe Deus cuidar do seu futuro (Daniel 1:1-21)

 

            Há pessoas que acreditam que o homem é produto do meio. De acordo com esse pensamento, o ser humano absorve o que as pessoas em sua volta dizem e fazem. Com o passar dos anos, ele se torna a expressão do ambiente ou contexto social em que vive. Se uma pessoa mora num ambiente de prostituição, ela certamente também vai se prostituir. Se ela trabalha diariamente com pessoas corruptas, também acabará se corrompendo e aceitando suborno. Se nasce num lar idólatra, ela também vai adorar falsos deuses e seguir as falsas religiões. Se cresce observando os pais e irmãos se agredindo, se embebedando, fazendo uso de drogas, também vai se tornar uma pessoa violenta e viciada.

            Mas isso não é uma verdade absoluta. A Bíblia contém exemplos de homens e mulheres, jovens e crianças que, mesmo vivendo em ambientes hostis, conseguiram contrariar todas as expectativas negativas sobre o futuro que tinham pela frente. Abraão veio de um lar idólatra, mas creu em Deus e se tornou seu amigo (Tg 2:23). Moisés, criado no Egito, preferiu ser humilhado com o povo de Deus a desfrutar os prazeres do pecado (Hb 11:25). José foi traído e vendido como escravo pelos próprios irmãos (Gn 37:28), mas nem por isso se tornou uma pessoa amargurada, que odiava sua família; posteriormente foi convidado a fazer sexo com a mulher do seu patrão, mas se negou e manteve firme sua integridade e comunhão com Deus (Gn 39:7-9).

            Vejamos com mais detalhes o caso de Daniel, um adolescente judeu levado como prisioneiro para a Babilônia com cerca de 15 anos de idade. Nunca mais retornou para sua terra natal e morreu distante de seus antepassados. Lá, Daniel presenciou diferentes formas de idolatria. O nome do rei Nabucodonosor já era uma espécie de reverência a uma divindade pagã: “Nabu”. O v. 2 expressa a disposição dele para cultuar essa divindade. Daniel teve que aprender, em três anos, a cultura daquele povo para trabalhar no palácio real (v. 4). Talvez tentando envaidecer o jovem Daniel, o rei reservou para ele e seus amigos comidas e bebidas que só eram servidas à própria realeza (v. 5). Daniel era moço bonito, inteligente e fisicamente perfeito (v. 4). Portanto reunia condições para se orgulhar e ceder aos encantos do poder e do prazer. Outra tentativa de desvincular Daniel do único Deus verdadeiro foi a mudança do seu nome para Beltessazar (v. 7). Originalmente, Daniel significa “Deus é meu juiz”; Beltessazar quer dizer “Bel proteja sua vida”, ou seja, mais uma referência a outra entidade pagã.

            Entretanto a história não termina aqui. O texto apresenta duas virtudes de Daniel que também podem levar outro jovem a ser bem-sucedido na vida (v. 8). Em primeiro lugar, Daniel decidiu, firmemente, preservar sua comunhão com o seu Deus. Essa é uma decisão pessoal, que nem seus familiares, nem seus amigos poderão tomar por você. Mesmo sendo pressionado e recebendo propostas aparentemente encantadoras, Daniel não teve dúvida: rejeitou o que prejudicaria seu relacionamento com o Senhor. Jesus usou uma metáfora bem contundente para ensinar que nem tudo que os homens valorizam nesta vida agrada a Deus: “Se a sua mão ou o seu pé o fizerem tropeçar, corte-os e jogue-os fora. É melhor entrar na vida mutilado ou aleijado do que, tendo as duas mãos ou os dois pés, ser lançado no fogo eterno” (Mt 18:8). A segunda virtude de Daniel é a humildade. Embora ele estivesse amparado pelo Deus Todo-Poderoso, soube tratar com respeito o chefe dos oficiais do rei e reconhecer a sua autoridade. Daniel não foi arrogante nem prepotente. Com singeleza e prudência, ele “solicitou... permissão” para abster-se das iguarias do rei. No v. 12, Daniel novamente nos dá um exemplo de humildade e conscientização da sua posição social dentro daquele contexto. Gentilmente, pediu ao cozinheiro que servisse apenas legumes e água a ele e a seus amigos. Provérbios 29:23 diz que “O orgulho do homem o humilha, mas o de espírito humilde obtém honra”.

            Vejamos agora o resultado da postura do jovem Daniel. A Bíblia diz que, imediatamente ao pedido dele, Deus tocou o coração do chefe dos oficiais do rei de tal forma que ele foi bondoso e simpático com Daniel (v. 9). O cozinheiro também atendeu ao pedido de Daniel e lhe deu apenas legumes e água (v. 14). Deus abençoou os quatro jovens com especial sabedoria e inteligência e, além disso, deu a Daniel a capacidade de interpretar sonhos e visões (v. 17). Ninguém no reino de Nabucodonosor se comparava a Daniel (v. 19) e a seus amigos (v. 20). Deus deu a Daniel vida e ministério longos (v. 21).

            A conclusão a que se chega diante desses fatos é que não estamos destinados a ser o que outras pessoas querem que sejamos. Nenhum ambiente social, por pior que seja, é capaz de limitar o que Deus pode fazer na vida de alguém. Abra seu coração para a Palavra transformadora de Deus, receba Jesus em sua vida e deixe o Espírito Santo atuar em você!

 

Dc. Albert Iglésia