Tarde demais

 

Não sei se você sabe, mas um dia vão procurar as igrejas, porém, será tarde demais; procurarão a Bíblia, mas será tarde; procurarão as reuniões de oração, mas será tarde; procurarão os irmãos, mas será tarde. Estes, sim, serão dias de angústia, dias de sofrimento sem esperança para amenizar, dias em que muita gente vai procurar mas não irá encontrar o que um dia havia em abundância, porém foi desprezado. Serão dias de dor jamais vividos; dias em que nada mais terá conserto; dias de arrependimento vão e tardio.

Esses dias estão previstos, não há como eles não ocorrerem, a cada dia se aproximam. No entanto, vive-se hoje como se eles estivessem se distanciando, quando a verdade é que eles estão logo ali. Se João, que viu esses dias difíceis, nos visse hoje, o que diria? Pois há muitos que caminham para dias tão terríveis como se fossem uma lenda, uma ideia distante. Vão ao encontro de tais dias a passos largos, sem qualquer preparo, como se, no final, algo pudesse impedir que dias assim nunca cheguem. Entretanto, não é bem assim, pois desde que foram previstos, tais dias vêm com força cada vez maior. É logo ali.

Uma criança que nasce já caminha para encontrar dias assim; um adulto, o que dizer? A meia idade anuncia mais forte que há uma luta logo na frente; os idosos talvez já entendam melhor a eloquência daqueles dias, pois lhes ficam mais claros, mais íntimos.

Dias de tamanha calamidade servem àqueles que não creem; são para os que desprezam as oportunidades, para os que não se cuidam e aos que adiam o arrependimento. A Bíblia já anuncia dias de calamidade há muito, assim como já prevê os que hão de viver esses dias de interminável tormento. Jesus disse sobre esses dias tomando como exemplo os que rejeitaram o convite para o Seu banquete (Mt 22.1-14), ou por meio das noivas que se esqueceram do azeite das lamparinas (Mt 25.1-13), assim como o servo que enterrou seu talento (Mt 25.14-30), ou apontando para a figueira que não deu o fruto esperado no tempo devido (Mt 21.18,19), ou lamentando pelo jovem rico que não aceitou Seu convite (Mt 19.16-22), ou clamando sobre as cidades impenitentes que não aproveitaram Suas palavras (Mt 11.20-24), ou contando sobre aquele homem que passava a vida destruindo e construindo celeiros para o acúmulo de mais riquezas (Lc 12.13-21), e tantos outros exemplos de comportamentos que ainda hoje identificam aqueles que insistem em não crer que dias difíceis virão. É preciso reagir, pois eis aqueles dias, logo ali.

Uma visita aos cemitérios, aos obituários de jornais, aos álbuns de fotografia e aos cartórios de registro dizem a verdade que, de uma forma ou de outra, uma verdade insofismável é cada dia mais real: dias de angústia se aproximam, até que, por fim, chegam. Para alguns, até já chegaram.

Ninguém em toda a história humana escapou de ver seus dias se aproximando de um momento derradeiro e solitário, que anunciará quais dias futuros escolhemos e amamos vive-los, se os dias de angústias eternas, ou de glória e descanso eternos na sublime presença do Criador.

Cada um caminha um caminho que pensa controlar, enquanto uma voz vai dizendo para quem crê e quem não crê:

“Assim, pois, como diz o Espírito Santo: Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais o vosso coração... Eu te ouvi no tempo da oportunidade e te socorri no dia da salvação; eis, agora, o tempo sobremodo oportuno, eis, agora, o dia da salvação” (Hb 3.7,8; 2Co 6.2).

 

Pr. Hilário José