O início do trabalho

A construção de Brasília, situada no Planalto Central, atraiu trabalhadores dos quatro cantos do país. A partir da sua inauguração, em 21 de abril de 1960, tornou-se o centro das atenções de todos os brasileiros, pela sua importância política, social, cultural e econômica. Em meio a tanta gente que ia surgindo na nova Capital, observou-se que muitos eram evangélicos, de várias denominações e segmentos. Aqueles irmãos trataram logo de procurar suas igrejas de origem. Mas os congregacionais não tinham onde se reunir. Na cidade não havia igreja nem trabalho algum da União das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil (UIECB). Entretanto, alguns irmãos membros de igrejas congregacionais do Rio de Janeiro se interessaram em organizar um trabalho evangélico. Toda vez que se encontravam, conversavam sobre o assunto, sonhando com uma igreja Congregacional na cidade. O mês de março de 1972 foi, decisivamente, o ponto inicial, a semente do trabalho Congregacional em Brasília, plantada pelo reverendo Gaspar Figueiredo. No dia sete daquele mês, o reverendo Gaspar, que inicialmente queria prestar assistência aos filhos Décimo e Cléber da Rocha Figueiredo, residentes na Capital Federal, fez contato com o presidente da Junta-Geral da UIECB e lhe expôs a importância da abertura de um trabalho da denominação, aproveitando-se da existência, naquele local, de vários irmãos congregacionais. A direção da Junta apoiou a ideia e, no dia 9 do mesmo mês, juntamente com os seus dois filhos, o reverendo Gaspar deu início às visitações. Na oportunidade, também contaram com as contribuições dos presbíteros Acácio Fernandes Santos – que disponibilizou sua casa, na cidade-satélite de Taguatinga/DF –  e Manoel Medeiros e do reverendo Antônio Varizzo Júnior. A primeira reunião foi realizada com a presença de 15 irmãos; a segunda, apesar da chuva, com 20. No dia 21, o reverendo Gaspar encontrou-se com o deputado Daso Coimbra, que prometeu apoiar o trabalho.

Decisões importantes

No dia 30 de março, após a Escola Dominical, prestou-se o primeiro relatório das atividades à Junta-Geral. Os irmãos reunidos tomaram as seguintes decisões: 1 – continuação da EBD na casa do presbítero Acácio; 2 – reunião de oração nos lares às quintas-feiras; 3 – iniciar campanha financeira para construção do imóvel onde, futuramente, seria construída a igreja. No dia 24 de junho, em nome da Junta-Geral, foi presidida pelo reverendo Júlio Ignácio Cardoso uma reunião em que foi nomeada a seguinte Comissão Organizadora: presbítero Manoel Medeiros de Carvalho, presidente; presbítero Acácio Fernandes dos Santos e Eudésio Nunes da Silva, tesoureiros; Décimo da Rocha Figueiredo, 1º secretário; Júlio César Cardoso, 2º secretário; e Edith Gomes Ferreira, procuradora.

Uma data que não será esquecida

O dia 10 de dezembro de 1972 é uma data marcante na vida da Primeira Igreja Evangélica Congregacional de Brasília. Trata-se do início de uma longa jornada, da qual participou um grupo de cristãos que fixou residência na Capital Federal e que sentiu a necessidade de estender no Planalto Central a tenda erguida pelo casal missionário Sarah e Robert Kalley, que chegou ao Rio de Janeiro em maio de 1855. Após sucessivas reuniões nos lares dos irmãos, o destemido grupo reuniu-se em assembleia para a organização da igreja. Isso aconteceu no Colégio Abraão Lincoln, situado na Avenida L2 Sul – SQ 607 – Bloco A, sob a presidência do reverendo Hospírio Alves da Silva. Procedeu-se à leitura bíblica de Atos dos Apóstolos 1:1-2, logo em seguida houve uma palavra explicativa acerca do motivo da reunião, passando-se à leitura, discussão e aprovação do Estatuto.

A primeira diretoria e os primeiros membros

Durante aquela assembleia, foi eleita a primeira Diretoria, composta pelo diácono Joaquim João dos Anjos, presidente; Dalvacy Santos dos Anjos, vice-presidente; Cléber da Rocha Figueiredo, 1º secretário; Damaris Soares Teixeira da Silva, 2º secretário; Eudésio Nunes da Silva, tesoureiro. Após declarada a organização da igreja, foi constituída e aprovada a relação dos 19 membros fundadores: Eudésio Nunes da Silva; Rosalvo dos Anjos Tanajura; Geraldo da Silva Curityba; Elza Silva de Carvalho; Manoel Medeiros de Carvalho; Aurani Coelho Tanajura; Rosaurani Coelho Tanajura; Acácio Fernandes dos Santos; Hospírio Alves da Silva; Alcilene Evangelista da Silva; Odila Fernandes dos Santos; Maria Antonieta Cardoso dos Santos; Janete Maria de Souza Curityba; Ireni da Silva; Cléber Rocha Figueiredo; Dalvacy Santos dos Anjos; Edith Gomes Ferreira; Roseli Costa Peixoto; Antônio Carlos Silva Peixoto.

A peregrinação

Assim foi a gênese do trabalho, que não parou por aí, apesar das lutas, que foram travadas com sacrifícios, suor, lágrimas, esforço, dedicação e, acima de tudo, muita fé e oração. Pode-se afirmar que houve uma grande “peregrinação” desde os idos de 1972 até o início de 1977, quando o grupo se reunia para cultuar a Deus e dar continuidade aos trabalhos eclesiásticos. Saudosas são as reuniões lá na cidade-satélite de Taguatinga: QNA 25 – Lote 2, na residência do presbítero Acácio Fernandes dos Santos, com cerca de 15 membros, durante mais ou menos dois meses. Outras reuniões igualmente memoráveis aconteceram no Colégio Abraão Lincoln: Avenida L2 Sul – Quadra 607. As reuniões foram transferidas para o Plano Piloto porque a maioria dos membros residia próximo àquela área. O mencionado colégio era dirigido por um pastor americano. A Diretoria do estabelecimento propôs a venda da propriedade por Cr$ 30.000,00. Na época, a importância era bastante elevada para quem não possuía dinheiro em caixa. Mais tarde, as instalações foram vendidas para o funcionamento de uma gráfica... O entusiasmo era crescente, e o trabalho mais uma vez mudou de sede – ainda em caráter provisório –, para a SQS 211, na residência dos irmãos Eudésio Nunes da Silva e Rosalvo dos Anjos Tanajura. Nova mudança foi necessária, agora para o antigo templo da Igreja Presbiteriana Independente, situado na Avenida L2 Sul – Quadra 616, cujo trabalho durou seis meses. Uma vez mais o grupo “levantou acampamento” e conseguiu permissão para utilizar as dependências do Exército de Salvação, situado na Quadra 610 da mesma Avenida, durante um período de dois anos. De lá, o grupo partiu para outra sede provisória: Igreja Episcopal, na SQS 309/310, durante o ano de 1976.

Um passo de fé

Os irmãos, então já cansados de pedir favores e de depender de outras igrejas, reuniram esforços no sentido de adquirir um terreno no Plano Piloto e construir o tão almejado templo. Em outubro de 1976, a União das Auxiliadoras Femininas (UAF) – organizada em 9 de março de 1974 – realizou uma campanha financeira que ficou conhecida como “Festa dos Aventais”. Parecia um sonho; porém, tudo foi colocado nas mãos do Altíssimo, que foi dando o rumo necessário. A Junta-Geral firmou o propósito de ajudar na compra de um imóvel com a venda de uma sala comercial em Brasília. O presbítero Manoel Carvalho tomou conhecimento de que a Igreja Episcopal possuía um terreno localizado no Plano Piloto, na EQS 415/416, adquirido junto à Terracap. A igreja permaneceu em oração, perseverando com muita fé. Houve entendimento e muito progresso para a compra do imóvel. O terreno, valor de CR$ 400.000,00 (quatrocentos mil cruzeiros) em 30 meses, ficou por C$ 225.000,00 (duzentos e vinte e cinco mil cruzeiros) em 60 meses! Finalmente o negócio foi fechado, com uma entrada de CR$ 45.000,00 (quarenta e cinco mil cruzeiros) e com prazo de dois anos para a construção.

A construção do templo

Aproveitando o feriado de 21 de abril de 1977, os irmãos fizeram um churrasco em favor da construção do templo. No dia 1º de maio, foi inaugurado o “barracão”, em caráter provisório, para a realização dos trabalhos e outras atividades. Naquele dia, houve uma programação especial na Escola Dominical, com estudo bíblico baseado na vida de Gideão. E ainda: relatórios, celebração da Santa Ceia, ofertas, tomadas de decisões, noivado, apresentação do projeto de fundação... Em 19 de junho, foi realizado o primeiro culto noturno. Em meio a tudo isso, o Senhor ia acrescentando outros membros. Formou-se uma comissão com os irmãos Acácio Santos, Eudésio Nunes, Hodecy Pinheiro e pastor Nilson Pinto Correa para cuidar da obra. Os trabalhos de “bate-estaca” começaram, com máquinas para perfurar o solo. Surgiu então mais uma dificuldade: uma rede de esgoto no subsolo causou a interrupção do serviço. Foi preciso aprofundar as colunas de sustentação para colocar as sapatas. Os recursos financeiros pareciam faltar. Alguns irmãos começaram a desanimar... Depois de muitas orações, a obra reiniciou! Enquanto isso, os cultos continuavam no “barracão”. O prazo para o término da obra esgotou-se. Foi feito pedido de prorrogação, e – aleluia! – as obras foram concluídas.

A inauguração

A inauguração do templo aconteceu no período em que foi realizada a 35ª Assembleia Geral, nas dependências da “Contag/DF”. Houve a presença de autoridades, pastores, muitos convidados e colaboradores simpatizantes. Dia 11 de março de 1979, foi realizada a Assembleia Extraordinária, conforme ata nº 13, sob a presidência do reverendo Hospírio Silva, no templo recém-construído, depois de muitas lutas. Naquela ocasião, o pastor Nilson Pinto Correa fez um relatório sobre recebimento de membros, batismos, casamentos, atividades na congregação de Ceilândia e a inauguração do trabalho em Goiânia. Com isso, a igreja ganhou novo alento, fortaleceu seu ânimo.

Alguns frutos

Novos trabalhos e atividades surgiram, cada vez melhores: cultos, Escola Dominical, Mocidade, Senhoras, visitações etc. No período de 17 a 19 de abril de 1981 houve conferências que resultaram em várias conversões. A Mocidade realizou programação durante todo o dia 21 de abril, com estudo bíblico e social. À noite foi realizado um culto ao ar livre. Em novembro de 1985, a igreja reunida em assembleia decidiu ajudar um seminarista na congregação de Ceilândia e pedir a filiação daquela congregação à UIECB. No mesmo mês houve também encontro na “Contag/DF”, com palestra, churrasco e esportes; comemoração do “Dia do Pastor”; bazar promovido pela UAF para levantamento de recursos financeiros; batismos. Em dezembro, comemorou-se o 13ª aniversário da igreja. Com o passar dos anos, a igreja se desenvolvia: culto nos lares; encontro de jovens; criação de uma biblioteca, de diversos departamentos e da classe “Catecúmenos”; programações especiais – como a “Semana do Lar”, com conferências –; retiro da Mocidade. Em 29 de março de 1987, ocorreu a posse do pastor Lúcio Martins Santos Neto, com a presença da Junta Regional. Em 29 de abril de 1989, a posse dos pastores José Pereira da Costa, em Brasília, e Moisés de Azevedo Teles, em Ceilândia.

A atualidade

Passados 40 anos, esta igreja ainda pode contemplar o rastro de fé e perseverança deixado pelos pastores, demais oficiais, líderes e membros que por aqui labutaram. As dificuldades enfrentadas não foram suficientes para cessar o avanço de um povo vitorioso chamado para proclamar a Palavra de Deus. Hoje a 1ª IEC de Brasília conta com cerca 100 membros, além de crianças, adolescentes, jovens e outros congregados. Temos ainda o privilégio dado por Deus de manter congregações em Santa Maria/DF e Luziânia/GO, um campo missionário em Pirenópolis/GO, contribuir com o ministério de vários missionários no Brasil e no exterior.

O engajamento no estudo das Escrituras promovido a partir da tradicional Escola Bíblica aos domingos e dos estudos sistemáticos às quartas-feiras vem despertando o interesse dos membros. Prova disso é que hoje a igreja conta com vários estudantes de teologia, inclusive no nível de pós-graduação. A igreja mantém uma pequena biblioteca local e incentiva a participação dos membros em seminários, cursos e palestras de aperfeiçoamento. A ida anual de dezenas de irmãos aos encontros promovidos pela Sepal já virou uma tradição.

Na área social, a 1ª IEC de Brasília vem aperfeiçoando o serviço prestado à comunidade, cedendo suas instalações para a ministração de aulas de reforço ao Ensino Médio e ao Fundamental, aulas de música, distribuição de gêneros alimentícios e de outras necessidades pessoais, promoção de bazares e assistência a um orfanato e a uma comunidade de catadores de papel.

Desde 13 de março de 2004, o pastor-presidente é o Rev. Hilário José Bispo da Graça. Como pastor da congregação de Santa Maria, temos o Rev. Ubiracy José Aguiar. A congregação de Luziânia é pastoreada pelo Rev. Valmir Duarte da Silva. No campo missionário de Pirenópolis, lidera os trabalhos o presbítero Luciano José Bispo da Graça. No quadro de oficiais, ainda contamos com o pastor Lúcio Martins dos Santos Neto e o Rev. Emmanuel Olouwatoin Adewonuola.

 

Contribuíram com este breve histórico os seguintes irmãos:

Diácono Severino Machado de Barros

Diaconisa Aryette de Medeiros Machado

Pr. Albert Iglésia Correa dos Santos

Pastor Hilário José Bispo da Graça

Presbítero Aldair Soares Gomes, hoje membro de uma igreja presbiteriana do DF, idealizador e autor do logotipo que atualmente identifica a União das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil, a cruz sobre a Bíblia, formada pelas iniciais U I E C B.