Vivendo em novidade de vida (Lc 5:27-39)

 

            Com o convite feito a Levi (também chamado de Mateus na Bíblia), Jesus criou uma oportunidade para que o evangelho fosse pregado a uma pessoa que era menosprezada pela sociedade de Israel e, de uma só vez, serviu para que o Senhor cumprisse três propósitos diferentes: I) serviu para resgatar uma alma do inferno (“...todos pecaram e carecem da glória de Deus, sendo justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus” – Rm 3:23-24); II) serviu para transformar a vida de um homem (“...chamou a si os seus discípulos e escolheu doze dentre eles, aos quais deu também o nome de apóstolos: ...Mateus...” – Lc 6:12-16) e III) serviu para Jesus explicar a sua missão e o propósito da sua mensagem entre os homens de sua época.

            Ao perceber isso, só nos resta concordar com o apóstolo Paulo, que diz que o evangelho “é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê” (Rm 1:16).

            Infelizmente, fariseus e escribas não compreendiam isso e criticavam Jesus por se dirigir aos pecadores (Lc 4:18-19, 28-30). Para eles, Jesus não se encaixava em sua vida religiosa tradicional. Então Jesus apresentou quatro ilustrações da obra que veio realizar.

1a – A FIGURA DO MÉDICO (v. 31 e 32)

            Para os fariseus e escribas, Levi e seus amigos não eram dignos de ter nenhuma espécie de comunhão com Deus. Entretanto, para Jesus, eles eram pacientes espiritualmente enfermos e necessitados da ajuda do Médico da alma.

            Cristo já havia demonstrado seu poder para curar fisicamente as pessoas, mas agora ele queria curá-las do pecado. O pecado é semelhante a uma doença: cresce lentamente e, às vezes, é imperceptível; se não for combatido a tempo, é fatal; destrói vidas e relacionamentos, ministérios e igrejas.

            Escribas e fariseus conseguiam diagnosticar o pecado alheio, mais eram incapazes de reconhecer suas próprias necessidades espirituais.

2o – A FIGURA DO NOIVO (v. 33-35)

            A alegria dos discípulos de Jesus também incomodava os fariseus e escribas, que não entendiam que Jesus era “homem de dores” (Is 53:3), mas também era homem capaz de expressar júbilo (“...exultou Jesus no Espírito Santo” – Lc 10:21; “Tenho-vos dito estas coisas para que o meu gozo esteja em vós, e o vosso gozo seja completo.” Jo 15:11).

            Na parábola do filho pródigo (Lc 15:23-24, 32), o pai dá uma festa quando o filho mais novo, que abandou o lar, se arrepende e volta para casa. O casamento judeu durava uma semana e era uma ocasião de grande festa e celebração. A religião dos fariseus e escribas sufocava o povo, mas a mensagem do evangelho veio nos trazer alegria e esperança de uma nova vida. Jesus veio para fazer da vida uma festa, não um funeral.

3o A FIGURA DA ROUPA (NVI) ou “VESTE” (v. 36)

            Na Bíblia, a roupa é muitas vezes usada para representar o caráter e a conduta das pessoas (“Não mintais uns aos outros, uma vez que vos despistes do velho homem com os seus feitos e vos revestistes do novo homem que se refaz para o pleno conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou.” – Cl 3:9-10; “Regozijar-me-ei muito no Senhor, a minha alma se alegra no meu Deus; porque me cobriu de vestes de salvação e me envolveu com manto de justiça” – Is 61:10).

            Jesus não veio remendar as nossas vidas, mas veio nos dar uma vida nova. Na época de Cristo, o judaísmo (com seus rituais e suas tradições) já havia se mostrado incapaz de regenerar o pecador. A antiga aliança (com suas leis e cerimonialismos) era insuficiente para resolver de uma vez por todas o problema do pecado humano. As religiões atuais parecem uma colcha de retalhos que os homens criam para se proteger do inferno, mas só Jesus Cristo pode nos dar as vestes novas da salvação.

4a A FIGURA DOS ODRES (v. 37-39)

            A pressão do vinho novo, não fermentado, faz com que os recipientes velhos e desgastados com o uso sejam rompidos e não se aproveite nem a bebida, nem os próprios recipientes.

            Uma nova vida no Espírito Santo não poderia ser colocada dentro dos “odres velhos do judaísmo” (com seus cerimonialismos e rituais: ofertas pelo pecado, sacrifícios etc.). A religião dos fariseus e escribas estava ultrapassada (“...aquilo que se torna antiquado e envelhecido está prestes a desaparecer.” – Hb 8:13)

            O mesmo convite feito a Levi é também estendido a você hoje, por meio da Igreja e do evangelho. Aceite-o e experimente a mudança de vida que só Jesus Cristo pode dar ao homem pecador. Liberte-se da religiosidade vazia e inútil e passe a viver em novidade de vida.

 

Dc. Albert Iglésia

O perigo das riquezas deste mundo (Lc 18.18-23)

 

            Antes de analisarmos o texto e entendermos a mensagem de salvação nele contida, é necessário dizer que esse texto não é mais uma parábola contada por Jesus (obviamente sem desmerecê-las) e também não é uma simples história de ficção registrada pelo evangelista.

            Na verdade esta passagem nos revela um fato real que já acontecia nos tempos de Jesus e que, infelizmente, vem se tornando mais constante nos dias atuais: muitas pessoas se acham tão comprometidas com os valores materiais deste mundo que acabam desprezando os valores morais e espirituais do reino de Deus. Com isso acabam ganhando este mundo, mas também acabam perdendo a vida eterna.

            O verso 18 nos apresenta um homem eminente, mas sem a vida eterna. Era um homem de boa condição social e financeira. Um homem assim normalmente possui uma bela casa, uma boa fonte de renda, uma mesa farta de comida, belas roupas, um bom carro etc. Um homem importante geralmente não tem contas atrasadas, problemas quando o filho fica doente porque o leva nos melhores médicos e melhores hospitais, problemas quando o gás acaba, o aluguel vence... Mas nós observamos que aquele homem, apesar de ter uma bela vida, algo ainda lhe faltava: a vida eterna. Ele pergunta exatamente para Jesus o que deveria fazer para herdá-la.

            O verso 21 nos apresenta um homem religioso, mas não um verdadeiro convertido. Apesar de cumprir a lei, não estava salvo da condenação que há de vir sobre o mundo. Jesus revelou que realmente ele observava os mandamentos da Lei de Moisés (v. 20). Aquele homem era apenas mais um religioso que, desde sua juventude, praticava alguns rituais, mas que infelizmente não havia experimentado um novo nascimento. É interessante relembrar o diálogo que Jesus manteve com um mestre da Lei:

            “Perguntou-lhe Nicodemos: Como pode um homem nascer, sendo velho? porventura pode tornar a entrar no ventre de sua mãe, e nascer? Jesus respondeu: Em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus.” (Jo 3:4-5)

            O verso 22 nos apresenta a resposta de Jesus àquele homem importante. Cristo quis ensinar àquele importante homem os dois fundamentos do reino de Deus:

            “Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de todas as tuas forças. E o segundo é este:        Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que esses.” (Mc 12:30-31)

            Em seus ensinamentos, Jesus promete que, ainda nesta vida, por amor a Deus, receberemos mais do que tudo aquilo que deixamos e, no futuro, herdaremos a vida eterna (v. 29 e 30)

            O verso 23 nos apresenta a lamentável reação daquele homem importante. Infelizmente aquele homem ficou triste com o que ouviu de Jesus. Provavelmente foi embora chateado e, consequentemente, não herdou a vida eterna que estava muito próxima dele.

            Será que você também anda triste, chateado com tudo o que houve de Jesus por meio da Bíblia? Será que você, como aquele homem importante, vai virar as costas para Jesus e deixar de lado a vida eterna?

 

Dc. Albert Iglésia

Deixe Deus cuidar do seu futuro (Daniel 1:1-21)

 

            Há pessoas que acreditam que o homem é produto do meio. De acordo com esse pensamento, o ser humano absorve o que as pessoas em sua volta dizem e fazem. Com o passar dos anos, ele se torna a expressão do ambiente ou contexto social em que vive. Se uma pessoa mora num ambiente de prostituição, ela certamente também vai se prostituir. Se ela trabalha diariamente com pessoas corruptas, também acabará se corrompendo e aceitando suborno. Se nasce num lar idólatra, ela também vai adorar falsos deuses e seguir as falsas religiões. Se cresce observando os pais e irmãos se agredindo, se embebedando, fazendo uso de drogas, também vai se tornar uma pessoa violenta e viciada.

            Mas isso não é uma verdade absoluta. A Bíblia contém exemplos de homens e mulheres, jovens e crianças que, mesmo vivendo em ambientes hostis, conseguiram contrariar todas as expectativas negativas sobre o futuro que tinham pela frente. Abraão veio de um lar idólatra, mas creu em Deus e se tornou seu amigo (Tg 2:23). Moisés, criado no Egito, preferiu ser humilhado com o povo de Deus a desfrutar os prazeres do pecado (Hb 11:25). José foi traído e vendido como escravo pelos próprios irmãos (Gn 37:28), mas nem por isso se tornou uma pessoa amargurada, que odiava sua família; posteriormente foi convidado a fazer sexo com a mulher do seu patrão, mas se negou e manteve firme sua integridade e comunhão com Deus (Gn 39:7-9).

            Vejamos com mais detalhes o caso de Daniel, um adolescente judeu levado como prisioneiro para a Babilônia com cerca de 15 anos de idade. Nunca mais retornou para sua terra natal e morreu distante de seus antepassados. Lá, Daniel presenciou diferentes formas de idolatria. O nome do rei Nabucodonosor já era uma espécie de reverência a uma divindade pagã: “Nabu”. O v. 2 expressa a disposição dele para cultuar essa divindade. Daniel teve que aprender, em três anos, a cultura daquele povo para trabalhar no palácio real (v. 4). Talvez tentando envaidecer o jovem Daniel, o rei reservou para ele e seus amigos comidas e bebidas que só eram servidas à própria realeza (v. 5). Daniel era moço bonito, inteligente e fisicamente perfeito (v. 4). Portanto reunia condições para se orgulhar e ceder aos encantos do poder e do prazer. Outra tentativa de desvincular Daniel do único Deus verdadeiro foi a mudança do seu nome para Beltessazar (v. 7). Originalmente, Daniel significa “Deus é meu juiz”; Beltessazar quer dizer “Bel proteja sua vida”, ou seja, mais uma referência a outra entidade pagã.

            Entretanto a história não termina aqui. O texto apresenta duas virtudes de Daniel que também podem levar outro jovem a ser bem-sucedido na vida (v. 8). Em primeiro lugar, Daniel decidiu, firmemente, preservar sua comunhão com o seu Deus. Essa é uma decisão pessoal, que nem seus familiares, nem seus amigos poderão tomar por você. Mesmo sendo pressionado e recebendo propostas aparentemente encantadoras, Daniel não teve dúvida: rejeitou o que prejudicaria seu relacionamento com o Senhor. Jesus usou uma metáfora bem contundente para ensinar que nem tudo que os homens valorizam nesta vida agrada a Deus: “Se a sua mão ou o seu pé o fizerem tropeçar, corte-os e jogue-os fora. É melhor entrar na vida mutilado ou aleijado do que, tendo as duas mãos ou os dois pés, ser lançado no fogo eterno” (Mt 18:8). A segunda virtude de Daniel é a humildade. Embora ele estivesse amparado pelo Deus Todo-Poderoso, soube tratar com respeito o chefe dos oficiais do rei e reconhecer a sua autoridade. Daniel não foi arrogante nem prepotente. Com singeleza e prudência, ele “solicitou... permissão” para abster-se das iguarias do rei. No v. 12, Daniel novamente nos dá um exemplo de humildade e conscientização da sua posição social dentro daquele contexto. Gentilmente, pediu ao cozinheiro que servisse apenas legumes e água a ele e a seus amigos. Provérbios 29:23 diz que “O orgulho do homem o humilha, mas o de espírito humilde obtém honra”.

            Vejamos agora o resultado da postura do jovem Daniel. A Bíblia diz que, imediatamente ao pedido dele, Deus tocou o coração do chefe dos oficiais do rei de tal forma que ele foi bondoso e simpático com Daniel (v. 9). O cozinheiro também atendeu ao pedido de Daniel e lhe deu apenas legumes e água (v. 14). Deus abençoou os quatro jovens com especial sabedoria e inteligência e, além disso, deu a Daniel a capacidade de interpretar sonhos e visões (v. 17). Ninguém no reino de Nabucodonosor se comparava a Daniel (v. 19) e a seus amigos (v. 20). Deus deu a Daniel vida e ministério longos (v. 21).

            A conclusão a que se chega diante desses fatos é que não estamos destinados a ser o que outras pessoas querem que sejamos. Nenhum ambiente social, por pior que seja, é capaz de limitar o que Deus pode fazer na vida de alguém. Abra seu coração para a Palavra transformadora de Deus, receba Jesus em sua vida e deixe o Espírito Santo atuar em você!

 

Dc. Albert Iglésia

 

 

 

Não tenha medo

O medo é um sentimento inquietante que invade nosso coração em meio a um perigo iminente, uma provável ameaça ou uma possibilidade de fracasso ante ao desconhecido ou àquilo que supera nossa capacidade.

Existem medos que se originam a partir de conturbadas relações sociais e medos que têm a ver com a nossa relação com Deus (com aquilo que Ele quer realizar em nós e por meio de nós, e com aquilo que Ele quer nos revelar). É sobre este tipo de medo que eu quero conversar com você.

A Bíblia narra alguns episódios em que o medo dificulta o relacionamento do homem com Deus. Vejamos abaixo um exemplo disso.

Em Mt 14:22-33 aprendemos que o medo nos atrapalha de contemplar o poder de Deus. Dentro de um barco agitado pelas ondas e por um vento contrário, os discípulos “ficaram aterrados” ao verem Jesus caminhando sobre as águas. Aqueles homens, “tomados de medo”, não reconheceram o Senhor manifestando seu poder, demonstrando ser capaz de superar circunstâncias que ao homem parecem impossíveis. Jesus estava bem diante deles, mas eles viam um “fantasma”. Por quê? Porque o medo não nos deixa enxergar Deus atuando. O medo dos discípulos era tão grande, que eles gritaram (um gesto de desespero, uma demonstração de impotência); mas Jesus prontamente lhes disse: “Tende bom ânimo! Sou eu. Não temais!”. É bom saber que Jesus ouve nosso clamor e está sempre por perto para nos ajudar. Pedro, como sempre o mais ousado, quis experimentar aquele poder e pediu para que o Senhor lhe concedesse andar sobre as águas. Foi atendido. O Senhor disse: “Vem!”. Pedro, então, teve que sair do barco, que, apesar da situação, ainda representava uma relativa segurança para os discípulos.

Com isso, eu aprendo duas importantes lições: I) se queremos experimentar o poder de Deus em nossa vida, temos que abrir mão daquilo que aparentemente pode nos dar segurança, precisamos depender mais do Provedor do que da provisão; II) se queremos experimentar o sobrenatural de Deus, temos que confiar na palavra do Senhor. Note que Pedro recebeu uma palavra de Jesus dizendo-lhe o que deveria fazer: “Vem!” (v. 29). Pedro foi, mas reparou “na força do vento, teve medo” e logo começou a afundar.

É isso mesmo que, às vezes, acontece conosco também. Temos a palavra de Deus a nosso favor, mas os nossos olhos estão fixos nas circunstâncias, nas dificuldades. Jesus logo identificou a causa de tanto medo no coração de Pedro e disse: “Homem de pequena fé, por que duvidaste?”. Será que a falta de fé em Deus também tem feito você sentir medo daquilo que ele quer revelar a você?

 

            Peço que você vá até o verso 22. Nele, está dito que “compeliu Jesus os discípulos a embarcar e passar adiante dele para o outro lado”. Eu creio que Jesus possibilitou aquela situação para que pudesse revelar aos discípulos seu poder sobrenatural (v. 33). É possível que Deus esteja querendo revelar-se a você; mas, antes, Ele precisa conduzi-lo até um determinado ponto da vida, da história.

Eu encerro esta conversa citando o apóstolo Paulo: “Porque Deus não nos tem dado espírito de covardia, mas de poder, de amor e de moderação” (2Tm 1:7).

Dc. Albert Iglésia

 

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