Fé e obras

 

Eu creio que Cristo vai voltar. Na verdade, Ele voltará para cada um, de uma forma ou de outra. A volta de Cristo é uma promessa dEle, não uma elucidação de homens. Portanto, como tudo o que Ele disse se cumpriu e se cumprirá, é certa a Sua volta. Quando digo que Ele voltará para cada um de nós, de uma forma ou de outra, refiro-me ao Dia da Sua manifestação, a 2a vinda, ou ao dia em que cada um terá seu encontro particular para juízo quando encontrar o limite de sua vida nesta terra. De uma forma ou de outra, num dia desses, ou no Dia final, um dia entraremos em juízo.

Esse Dia é certo, não porque eu creio nele (e eu creio, mesmo), mas porque O Dia está determinado, queiram ou não os homens. Cada um terá o seu dia de juízo, de uma forma ou de outra, conforme a Palavra diz: “E, assim como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo, depois disto, o juízo, assim também Cristo, tendo-se oferecido uma vez para sempre para tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez...” (Hebreus 9.27,28a).

No dia do juízo as obras ficam em relevo. São elas que vão dizer quem somos e o que fizemos. Falarão, ainda, do nosso nível de comprometimento com Cristo e o Seu corpo, que é a Igreja. Não são obras que servem para comprar a salvação, como algumas religiões pregam, pois a salvação não tem preço que homens possam pagar, a não ser o sangue de Cristo, que já foi derramado. As obras que revelarão quem somos e que relação tiveram com o Evangelho de Cristo são aquelas produzidas a partir da fé. Tiago diz que as obras revelam a nossa fé: “Mas, alguém dirá: Tu tens fé, e eu tenho obras; mostra-me essa tua fé sem as obras, e eu, com as obras, te mostrarei a minha fé” (Tg 2.18). Tiago deixou claro que existem obras que apontam para a fé, ou seja, não é qualquer coisa, mas obras que provém da fé, que são impulsionadas pela fé. Sem obras a fé inexiste, é morta.

Quando Jesus se refere às obras, diz: “Em verdade, em verdade vos digo que aquele que crê em mim fará também as obras que eu faço e outras maiores fará, porque eu vou para junto do Pai” (João 14.12). Ou seja, as obras que realizamos, ou não realizamos, revelam nosso caráter cristão. Não se é cristão apenas por declaração oral, antes, Deus está olhando para o que a fé produz, se é que a fé existe naquele que a professa, pois, se existe, produz obras que engrandecem o Reino de Deus e exaltam o nome de Jesus.

Não existe fé sem obras. Não existe fé de boca. A fé não se realiza num conceito que não produz vida de prática cristã. O cristão faz alguma coisa para Cristo, fazendo algo por Sua Igreja. Esse é o comportamento que a fé produz naquele que verdadeiramente crê. O resto é mentira, que será revelada naquele Dia, ou no dia de cada um, o que vier primeiro.

Por ora, vivamos o nosso dia-a-dia em fé, por meio de boas obras. Quem não aponta para sua fé por meio de obras, é mentiroso, engana a si mesmo e incorre em grave erro, que trará suas consequências no dia em que prestaremos contas da nossa fé, se ela existir.

Semana que vem falaremos um pouco mais sobre obras da fé.

Pr. Hilário José

 

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Poucos obedientes

 

Passamos a semana no Congresso Brasileiro de Missões - CBM - em sua sétima edição. Foi a oportunidade de vermos o que a Igreja brasileira, ali representada, está fazendo e deixando de fazer. Vieram missionários de muitas partes do mundo, uma festa para eles. Também estavam ali os stands das diversas agências de fomento à obra missionária, de seminários/cursos voltados para missões e das juntas/departamentos de missões de diversas denominações, sem falar das editoras de material para missões e diversas organizações missionárias transculturais, e muitos missionários que, individualmente, tentavam promover seu ministério no meio daquela multidão de crentes que foi ao 7o CBM beber um pouquinho de cada fonte.

Como todo congresso, muitos preletores, mas também muitos testemunhos de missionários que compartilharam suas experiências e a necessidade da presença missionária em muitos lugares do mundo com baixa presença cristã. Os testemunhos foram o ponto alto para mim, pois cada testemunho foi um clamor daqueles que não falam de missões em tese, mas vivem e enxergam a grande necessidade de trabalhadores de Jesus em todo o mundo.

Podemos entender necessidade de duas formas: necessidade em si mesma, que demonstra ainda termos poucos trabalhadores, ou necessidade como oportunidade. Sim, temos muitas oportunidades para servir. Não há desculpas para não servir.

Servir não é uma opção entre muitas, antes, é a única opção, pois o verdadeiro servo de Cristo precisa ser obediente e servir é ser obediente. Estar engajado na obra missionária é ser obediente, não estar envolvido é estar em desobediência, simples assim.

Eis uma constatação que me entristeceu: grande parte da Igreja brasileira não obedece; grande parte dos crentes não obedece. Quando falamos que o Brasil tem uma Igreja de mais de quarenta milhões de evangélicos, estamos falando uma grande mentira, pois a Igreja verdadeira obedece, e o número daqueles que se envolvem em missões é muito desproporcional a tantos ditos evangélicos. Quando nos dizemos crentes em Cristo Jesus, mas nos afastamos do Seu maior objetivo, somos uma farsa. Quando utilizamos a vida cristã para em primeiro lugar satisfazer nossos interesses, somos uma farsa.

É com tristeza que constato isto dentro da Igreja. O que mais vemos hoje são crentes que não fazem nada, que estão totalmente alheios à evangelização dos povos. Fiquei feliz em ver tantas vidas engajadas com a obra missionária e tantas iniciativas concretas, mas fiquei muito triste em constatar que a advertência de Jesus ainda é uma realidade para os nossos dias de tanto apelo missionário, mas de pouca obediência: A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai, pois, ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara (Lucas 10.2).

Semana que vem falaremos um pouco mais sobre o assunto. Até lá.

Pr. Hilário José

 

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Dá-me este monte

“Agora, pois, dá-me este monte de que o Senhor falou naquele dia, pois, naquele dia, ouviste que lá estavam os anaquins e grandes e fortes cidades; o Senhor, porventura, será comigo, para os desapossar, como prometeu” (Josué 14.12).

 

Esta declaração de Calebe é extraordinária. Ele já contava 85 anos quando declarou ainda estar disposto a conquistar o que Deus lhe prometera na repartição da terra prometida. Nós conhecemos a história, que somente ele e Josué concordaram com Moisés que poderiam entrar e vencer os obstáculos da terra para possuí-la. Como a maioria foi incrédula, e não se dispôs a entrar na terra, durante quarenta anos os israelitas perambularam pelo deserto até que morressem. Foi um castigo de Deus aos que não creram.

Mas Calebe permaneceu entre aqueles que poderiam entrar na terra, pois sempre acreditou na promessa. O tempo havia passado e certamente o peso da idade poderia interferir em sua disposição. Mas não foi o que aconteceu. Calebe ainda tinha o mesmo sonho. É então que ele diz: “Dá-me este monte”.

Fico muito contente com as pessoas que ainda sonham com as coisas de Deus. Isso é desejar as coisas de Deus. Quem não deseja as coisas de Deus fica estacionado, não faz nada, inventa umas desculpas e se acomoda. É impressionante como muitos crentes nominais não fazem nada, são apenas contemplativos, ficam ociosos, cheios de problemas que até são convenientes aos que não querem nada com Deus e sua Igreja.

Mas não quero perder tempo falando desse tipo pessoa. Antes, quero me dirigir a você que ainda sonha com realizações de Deus em sua vida. Digo a você que prossiga, assim como Calebe, disponha-se, não se acomode, levante e faça alguma coisa, pois o Senhor é contigo. Assim como Ele guardou uma herança para Calebe e lhe foi fiel, creia que Deus tem algo guardado para você e Ele tem poder para lhe dar. Tão somente, não fique aí parado, como crente ouvinte e que nada produz. A Bíblia nos garante que o improdutivo não entrará no Reino de Deus (João 15; Mt 25). Portanto, não negligencie o tempo e as oportunidades. Não fique apenas na desculpa de que os tempos são difíceis, as igrejas estão falhando e você fica impedido de realizar a vontade de Deus. Tudo isso é uma falácia maligna. Calebe viveu no meio de um povo incrédulo e recalcitrante, mas venceu todas essas dificuldades e não permitiu que seu coração fosse contaminado. Ele disse: “e eu lhe relatei como sentia no coração” (Josué 12.7b), falando do que sentiu quando entrou na terra prometida; também disse: “meus irmãos que subiram comigo desesperaram o povo; eu, porém, perseverei em seguir o Senhor, meu Deus” (Josué 12.8).

Fazer a obra de Deus depende do que está em nosso coração, depende de perseverar em seguir ao Senhor. Por isso, Calebe, aos 85 anos, queria conquistar o que Deus já lhe havia separado como herança.

Deus tem falado à minha alma que alguns ficarão pelo caminho, não chegarão na herança que Ele tem separado para os que O amam, como Calebe. Que não seja você. Que vençamos as desculpas e a preguiça espiritual, pois de outra forma não será possível seguir.

Deus se alegra com aquele que lhe pede para ser útil em Sua obra. E faz.

Senhor, dá-nos mais!

Pr. Hilário José

 

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Um sentimento

 

“Graças, porém, a Deus que, em Cristo, sempre nos conduz em triunfo e, por meio de nós, manifesta em todo lugar a fragrância do seu conhecimento. Porque nós somos para com Deus o bom perfume de Cristo, tanto nos que são salvos como nos que se perdem”

(2Co 2.14,15).

 

Eu tenho um sentimento que a meu ver deveria ser de todo crente. Tenho um sentimento de paz e vitória. Não estou falando de um Evangelho triunfalista, que tem sido pregado por aí, que se confunde com ausência de problemas, como se viver o Evangelho nos livrasse de toda dificuldade. Não, não é desse Evangelho que eu falo, mas daquele que, apesar das dificuldades, prevalece sempre e nos faz ser o bom perfume de Cristo sempre, pois Ele mesmo é quem nos conduz em triunfo.

O sentimento do crente deveria ser, então, um sentimento de vitória, de triunfo. A vida cristã tem esse legado de Cristo. Nós temos um Salvador que morreu crucificado, mas que ressuscitou e está assentado à destra de Deus. Não somos um povo coitado, sem valor, perdido e sem rumo. Antes, somos o povo que pode dizer: “Eu tenho em mim um hino de vitória, que foi escrito por Jesus na cruz”.

Essa vitória, no entanto, precisa ser enxergada, pela fé, ou então seremos um povo que vive alarmado (1Pe 3.14b), só enxerga problemas e vive perspectivas improváveis, quando, na verdade, é totalmente o contrário. Jesus disse que venceu o mundo (Jo 16.33), disse que estará conosco todos os dias das nossas vidas (Mt 28.20) e que receberíamos poder ao  descer sobre nós o Espírito Santo (At 1.8).

Então, não é admissível ser um crente murmurador e que só enxerga dificuldade. Olhe ao redor, Deus está conosco, Ele tem nos dado vitória, tem comunicado Sua graça a esta Igreja e está sinalizando que podemos avançar. Problemas ocorrerão, mas não podemos ficar presos a eles e muito menos perder muito tempo com eles. Os problemas virão e as lutas estão aí, mas eu enxergo um General bem à nossa frente, dizendo: “Nós podemos, vamos em frente; eis que estou convosco”.

Está na Bíblia, irmão, e eu enxergo o meu Deus nos garantindo que podemos avançar. Deixe, então, os problemas para trás, faça como Paulo, que disse: “esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo, para prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus” (Fl 3.13b.14).

Vamos em frente, não temos desculpas para não avançar.

 

Pr. Hilário José

 

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As ondas do mar da vida

 

Contava ainda dezenove anos quando fiz uma viagem que me levou ao Mar Mediterrâneo. Acabava de iniciar meu namoro com Shirley e nos afastamos por quase quatro meses. O navio saiu do Rio de Janeiro costeando o litoral até Recife, de onde partimos para atravessar o Atlântico. Foi uma viagem de doze dias até Funchal, na Ilha da Madeira, onde Kalley cumpriu parte do seu ministério. De lá, rumo à Itália, sete dias de viagem até La Spezia.

Dois dias antes de chegarmos ao porto de destino, o mar ficou “grosso”. Mas foi na véspera da atracação que vivi um dos momentos mais tensos da minha vida. Por volta das nove da noite o mar ficou mais revolto, uma grande tempestade, ventos, ondas enormes, uma experiência que nunca mais se repetiria nos vinte e seis anos que se seguiram até hoje, mas o suficiente para nunca mais me esquecer daquela noite e madrugada em que ninguém dormiu. Quando, enfim, vencemos a madrugada, já pela manhã, descemos do navio e, do cais, observamos os estragos que o mar causara. Era um navio enorme, capaz de transportar uma tripulação de mais de trezentos homens e muita carga. Mas lá estava ele, com o costado esbranquiçado pelo sal, e muitas avarias. Foi uma surra e tanto.

Lembrei dessa amarga experiência, pois acabei de ganhar dos colegas de trabalho, no meu aniversário, um livro sobre a história que se desenvolveu ao redor do Mediterrâneo. Mas não quero falar desse mar das minhas lembranças. Quero falar do mar da vida.

Assim como o mar tem suas tempestades, a vida também as tem. Um cântico bem antigo já dizia que “se as águas do mar da vida quiserem te afogar, segura na mão de Deus e vai.” De fato, a vida é um grande mar que precisamos atravessar, até chegarmos numa praia segura, como também diz a poesia do Hino 565: “Quando vencendo os perigos do mar, dos céus à praia dourada eu chegar...”

Nos últimos dias, tenho observado algumas tempestades que se aproximam e algumas que já enfrentamos. Mas a vida é assim mesmo. Não conseguiremos atravessar o mar sem nos depararmos com tempestades. Ninguém quer tempestades e, se pudéssemos evitá-las, certamente que o faríamos. No entanto, há momentos que são inevitáveis, será preciso enfrentá-los, buscar os melhores meios de nos livrarmos dos danos que a fúria das ondas podem nos causar.

Lembro-me que durante aquela tempestade no Mediterrâneo algo incomum aconteceu. Tanto o comandante do navio, quanto seu imediato, assumiram durante toda a noite o controle do navio, até que a tempestade passasse. Foi toda uma noite sem descanso, até que o navio aportasse em segurança. De tempo em tempo eles nos davam informações sobre as condições de navegação e o que estava acontecendo, já que todos estavam perturbados. Assim é o mar, assim é a vida. Temos de enfrentar.

Se tiver de enfrentar tempestades, gosto de fazê-lo lembrando de outro Hino, o 102, baseado numa passagem bíblica em que Jesus, na linguagem poética, nos diz: “As ondas atendem ao meu mandar, sossegai; seja o encapelado mar, a ira dos homens, o gênio do mal, tais águas não podem a nau tragar, pois leva o Senhor, Rei do céu e mar...”

Meus irmãos, a nau que nos faz navegar agora é a Igreja. Nós precisamos atravessar a vida dentro dela, pois assim estaremos seguros, seja enfrentando a tempestade que for. A diferença deste navio chamado Igreja é que o Senhor Jesus, que tem poder sobre as ondas e os ventos da vida, está a bordo. Ele é o comandante e nEle estamos sempre seguros. O hino ainda diz: “Pois todos ouvem o meu mandar, sossegai, sossegai. Convosco estou para vos salvar; paz, paz, gozai”.

Que venham as tempestades. Jesus está conosco. Vamos chegar à praia.

 

Pr. Hilário José

 

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