Cura

“Tirou-me de um poço de perdição, de um tremedal de lama; colocou-me os pés sobre uma rocha e me firmou os passos. E me pôs nos lábios um novo cântico, um hino de louvor ao nosso Deus; muitos verão essas coisas, temerão e confiarão no Senhor” (Salmo 40.2,3)

 

Creio na cura do corpo. Eu mesmo já fui curado de glaucoma. Uma senhora me abordou na rua e disse que eu estava curado. Simples, assim. Fui à médica e ela comparou dois exames e constatou que eu não tinha mais glaucoma. Conheço outros casos de cura física, experiências vividas por pessoas sérias, que não banalizam o evento da cura como hoje se vê por aí. A Bíblia também registra curas extraordinárias e certamente há muita gente que já viveu essa experiência. Porém, todos os que no passado foram curados tiveram de enfrentar a morte física, e os que ainda hoje são curados não escaparão da morte. Um dia todos morrem, o corpo perece, mesmo os que experimentaram cura, fazendo com que a cura física seja uma experiência momentânea e oportuna para algum propósito de Deus.

Mas há uma outra cura possível. Falo da cura dos males da alma. Hoje em dia, e creio que sempre foi assim, muitos sofrem doenças da alma. Entretanto, a alma também pode ser curada e eu creio que essa cura é a mais importante, pois seus efeitos serão para estes dias e para a eternidade. Há muita gente com a alma adoecida por aí. Há muita mágoa, rancor, ódio, tristeza sem causa aparente, decepção, depressão, frustração, complexos diversos, crises existenciais, desejo de morte, medo da morte, sentimento de culpa, raiva, saudade, solidão, inveja, medo de qualquer coisa, ansiedade, desânimo etc. Poderia falar de várias manifestações da alma que está doente, mas não é este o propósito ao citar tantos males que acometem a alma. Meu propósito é dizer que há cura para a alma. Já vi muita gente doente na alma, mas que um dia obteve cura.

O nome que cura a alma é Jesus, não existe outro. Há anos tenho visto Jesus curando a alma de muita gente. Como ele faz isto? De muitas formas. Mas todas se traduzem em uma palavra: servir a Cristo. É impossível alguém que sirva a Jesus Cristo não encontrar a cura da alma. Conheço muita gente que passa por dificuldades que as colocaria numa cama, desanimadas, depressivas, descrentes da vida, mas, porque estão servindo a Cristo, vencem cada dor com a presença dAquele diante de Quem toda enfermidade espiritual cessa.

Um conselho. Não vamos perder nosso tempo tentando entender ou participar de um sistema humano que promete a cura da alma. O dom de curar a alma pertence a um somente, e Ele é Jesus. Portanto, peça a Jesus uma oportunidade de servi-Lo, seja lá o estado de vida que você esteja vivendo hoje. Quando servimos a Jesus, Ele nos tira do maior tremedal de lama e firma os nossos pés sobre a rocha.

A cura está bem perto de muita gente que é incapaz de perceber quantas oportunidades nos cercam, que de uma vez por todas podem nos livrar de qualquer enfermidade da alma.

Comecemos a fazer algo pela Igreja de Cristo. Vamos servir uns aos outros. Quando menos percebermos, a cura virá e nunca mais vamos sentir aquela dor que tanto maltrata a humanidade.

Deixe Jesus tocar em sua alma. Sirva-O.

Pr. Hilário José

 

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Não chegue atrasado

“Portanto, tomai toda a armadura de Deus para que possais resistir no dia mau e, depois de terdes vencido tudo, permanecer inabaláveis” (Efésios 6.13)

 

“Não chegue atrasado”, foi esta a mensagem que pregamos no domingo passado pela manhã, ao expormos a vida de Noé, quando ele e sua família entraram numa arca que ninguém acreditava ser lugar de salvação, por conta de um “improvável” dilúvio que Deus havia decretado derramar para destruir toda a vida na terra. Noé e sua família creram na Palavra de Deus e entraram na arca, enquanto o restante creu atrasado (se é que podemos dizer que isso é crer) e, quando lembraram da arca, já era tarde demais.

Vejo que às vezes estamos atrasados em muitas coisas da vida cristã. Alguns estão atrasados no “sim” que já deviam ter respondido ao chamado de Deus. Outros estão atrasados em crer que as promessas de Deus se cumprem, e adiam uma decisão que trará mudanças existenciais eternas. Há aqueles que também oram já estando no prejuízo causado pelo atraso. E é sobre isso que desejo falar um pouco.

Normalmente, observo que estamos atrasados em nossas orações. Os pedidos de oração denotam que muitas vezes estamos atrasados. Isto, porque, reparem, a Palavra de Deus sempre nos vem preventivamente, alertando sobre atitudes e suas consequências. Atitudes que não devemos adiar e atitudes que nunca devíamos ter tomado em nossas vidas. A Palavra de Deus é sempre preventiva, sempre alerta para que determinadas coisas não aconteçam em nossas vidas. Na Bíblia, Deus sempre investe muito mais em falar antes do que depois, quando já é tarde, o dano já se instalou e então só restam como medidas a correção e a restauração. Por exemplo, quando falamos de profetas, apenas Ageu, Zacarias e Malaquias profetizaram depois que os judeus voltaram a Israel, após setenta anos de exílio. Daniel e Ezequiel profetizaram no período do cativeiro e todos os outros profetas profetizaram antes. Conte o número dos profetas e veja quanto Deus investiu para alertar sobre o mal iminente, antes, é claro, do mal se instalar.

Nossas reuniões de oração demonstram esta realidade. A maioria dos pedidos de oração apontam que estamos atrasados, que o mal já se instalou e agora muitos estão correndo atrás do prejuízo, pedindo a Deus que nos livre de um determinado dano que já dominou a vida. Paulo, ao escrever aos Efésios, orientou que aquela Igreja tomasse toda a armadura de Deus para poder resistir no dia mal. Vejam que as ações são preventivas, para que quando o mal vier possamos ficar firmes e inabaláveis.

Então, irmão, revista-se de Deus antes, ore antes, faça a vontade de Deus agora. Não espere o mal se instalar para virar crente. Seja crente antes, durante qualquer situação e sempre. Não chegue atrasado.

 

Pr. Hilário José

 

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Que eu não esqueça de Ti, Senhor, nem dos Teus átrios!

 

Já não sou mais o mesmo quando tento fazer minha mente encontrar lugares que tanto amei no passado. Tento refazer caminhos num inútil esforço mental, mas o máximo são retalhos de lembranças que consigo obter. Não me sinto muito bem assim. Parece que rompi com um momento de minha vida que eu não queria perder de vista. E assim me contento com um pouco da saudade que de repente me leva ao nada, ao vazio. Minha esperança é que um dia Deus me abra a porta da eternidade, para que possa enxergar tudo e nunca mais esquecer de nada que me fez tão bem.

Mas há algo que nunca perco de vista. Sou capaz de refazer cada passo e ver bem nitidamente cada momento. O que não canso de lembrar é o caminho que me levou à Igreja de Cristo. No meu caso, foi num bairro pobre do subúrbio do Rio de Janeiro. Agradeço muito a Deus pela primeira vez em que adentrei no Seu templo e conheci Aquele que me conheceu antes da fundação do mundo. Desses átrios eu nunca mais saí e nem sairei. Quem é capaz de discernir o que é estar na Casa de Deus jamais perderá de vista o sentido da vida. Poderá esquecer qualquer coisa, menos daquele dia que iniciou uma história de vida com o Seu Salvador.

O maior cuidado que deveríamos ter em nossas vidas é não perder de vista as coisas de Deus, como a Igreja do Seu Filho. Mas hoje eu vejo que a Igreja anda por muitos esquecida, preterida, secundada. Isto só pode acontecer quando se perde a noção do valor das coisas mais importantes da vida. Aquele de quem a Igreja está bem distante perdeu esta noção, está cego e não sabe, tem um coração duro e não percebe, está perdido num grande engano. Quem perdeu de vista o valor das coisas de Deus não tem a mínima consciência do que é a vida e o que será dela sem um envolvimento no serviço à Igreja de Cristo.

Mas eu sei que um dia tudo vai estar muito claro e todas as lembranças serão nítidas. Quando esse dia chegar, a alegria será indizível para uns, mas haverá muita tristeza para aqueles que desperdiçaram suas vidas com o que ao final da vida nada lhes poderá acrescentar. É por isso que o salmista vai dizer: “Pois um dia nos teus átrios vale mais que mil; prefiro estar à porta da casa do meu Deus, a permanecer nas tendas da perversidade” (Salmo 84.10). Certamente, por haver se arrependido de abandonar a Deus é que outro salmista vai fazer um voto contra si mesmo: “Se eu de ti me esquecer, ó Jerusalém, que se me resseque a minha mão direita. Apegue-se-me a língua ao paladar, se me não lembrar de ti, se não preferir eu Jerusalém à minha maior alegria” (Salmo 137.5,6).

Se de fato somos Igreja de Cristo, precisamos orar muito para que nós e nossos filhos jamais percam de vista o que se requer de nós. Há muito engano ao nosso redor, há muita falsa conversão e falso amor às coisas de Deus. E a maior evidência de tudo isto é o esquecimento das coisas de Deus, especialmente, da Igreja do Filho dEle.

 

Pr. Hilário José

 

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Deus vai intervir em meio ao caos

 

Esta foi a palavra que falou aos nossos corações nas preleções do Pr. José Carlos Alcântara, em nossa Conferência Missionária, na semana passada. A verdade é que Deus sempre interveio em meio ao caos. Basta olhar para a Bíblia e veremos Deus intervindo na História. De uma forma geral, Deus intervém na vida de todos. A maior intervenção de Deus que já se registrou foi o nascimento de Jesus Cristo, a encarnação do Verbo de Deus, ou seja, a Palavra de Deus encarnada, para salvar o homem do pecado. A próxima grande intervenção será da parte do próprio Cristo, necessária e já registrada para acontecer, no entanto, desta vez, para juízo.

Intervenções, digamos, menores que as já citadas ocorreram por meio de homens como Noé, Moisés, Elias e tantos outros. Deus interveio por meio de povos pagãos, por exemplo, por causa da idolatria de Israel, sujeitando-o aos assírios. Deus interveio em meio ao pecado de Judá, sujeitando-o aos babilônios e a outros impérios que se sucederam. O apóstolo Paulo fala da intervenção de Deus em meio à irreverência da Igreja em relação à Santa Ceia. Ao denunciar o mau comportamento da Igreja de Corinto, Paulo indica que algumas pessoas estavam fracas, doentes e outras que até já haviam morrido como consequência da irreverência: “pois quem come e bebe sem discernir o corpo, come e bebe juízo para si. Eis a razão por que há entre vós muitos fracos e doentes e não poucos os que dormem” (1Co 11.29,30).

A Bíblia relata vários momentos da intervenção de Deus, seja para salvar, libertar, fazer triunfar, como também para trazer punição, abater, trazer castigo, justa retribuição, quer seja mediante obediência ou desobediência.

Deus não está alheio e nem perdeu o controle dos seus propósitos na humanidade. Por isso, devemos temer, pois nada passa em branco. Deus não faz “vistas grossas” ao pecado, à injustiça, à dissimulação, à infidelidade, à mornidão espiritual, à preguiça, à insubordinação, à idolatria, à indiferença, à falta de compromisso e comprometimento com Sua obra, aos votos não cumpridos, à falta de amor, à falta de perdão, à falta de zelo, enfim, à desobediência contumaz. “Não vos enganeis: de Deus não se zomba; pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará. Porque o que semeia para a sua própria carne da carne colherá corrupção; mas o que semeia para o Espírito colherá vida eterna” (Gl 6.7,8).

Tomara não ser necessário Deus intervir em nossas vidas para correção, para juízo, para repreensão. Façamos por onde a que a intervenção de Deus seja para restituir, para restabelecer e para consolar. Para tanto, obedeçamos à Sua Palavra e não duvidemos que, de uma forma ou de outra, Deus vai intervir, sempre.

Pr. Hilário José

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Que fé expressamos?

 

Temos falado de fé nas últimas pastorais por entendermos que a Igreja é a reunião dos que compartilham a fé em Cristo Jesus. Mas bem sabemos que nem sempre vemos uma fé verdadeira expressando a vida cristã. Esse é, portanto, o motivo de trazermos tantos esclarecimentos a respeito da fé, a fim de que sejamos de fato uma comunidade de fé.

Tiago disse: “Meus irmãos, tende o motivo de toda a alegria o passardes por várias provações, sabendo que a provação da vossa fé, uma fez confirmada, produz perseverança. Ora, a perseverança deve ter ação completa, para que sejais perfeitos e íntegros, em nada deficientes” (Tiago 1.2-4).

Vimos na última pastoral que a fé provada produz perseverança e Tiago diz que essa perseverança, quando tem ação completa, faz-nos perfeitos, íntegros e em nada deficientes. Tudo isto tem a ver com a forma como a Igreja se expressa. A Igreja está no mundo e faz parte da sociedade, ou seja, estamos convivendo com as pessoas e precisamos dizer do Evangelho de Cristo para aqueles que nos veem. Quando temos fé e perseveramos na fé, diz o texto que somente assim nos tornamos perfeitos como Igreja que expressa a Cristo, e íntegros na missão a nós confiada.

Infelizmente, a deficiência da fé é notória na vida de muitas pessoas dentro da Igreja. São crentes que priorizam suas vidas antes do Reino de Deus, não conseguem vencer a carne e ainda recorrem aos sentimentos do velho homem para lidarem com vida comunitária cristã. Desta forma a Igreja é mal expressada, mal compreendida, o testemunho é precário, os não crentes são escandalizados e a missão maior não é cumprida. A Igreja cuja fé é deficiente é também um grupo que se reúne como Igreja, mas que Cristo não se reconhece nela. Em Mateus 7.22, Jesus disse que: “Muitos, naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniquidade”.

Irmãos, não podemos nos contentar em apenas estarmos juntos. Mais cedo ou mais tarde as deficiências da fé vão aparecer. Não podemos negligenciar o nosso meio de vida, que é a fé, pois é pela fé que vamos conquistar tudo o que nos foi prometido. Paulo disse aos Efésios que Deus é “poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos”, mas reparem, “conforme o seu poder que opera em nós?” (Efésios 3.20). O poder da Igreja é a fé na medida em que opera em nós.

Dizemos ao mundo quem somos a partir da fé que temos. Que a fé seja verdadeira e tenha ação completa, fazendo-nos uma Igreja íntegra e em nada deficiente.

Pr. Hilário José

 

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