Nossos irmãos de Corinto – Parte 4 (Divisão)

“Rogo-vos, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que faleis todos a mesma

coisa e que não haja entre vós divisões; antes, sejais inteiramente unidos, na mesma disposição

mental e no mesmo parecer”. (1Co 1.10)

 

Nossas preferências pessoais não podem causar divisões na Igreja. Os irmãos de Corinto eram carnais (1Co 3.1) e uma das evidências estava nas divisões ocorridas naquela Igreja (1Co 3.3-4). Uns preferiam Paulo; outros, Apolo; outros, Pedro; outros (talvez querendo passar uma imagem de mais espirituais) diziam escolher a Cristo. Não podemos esquecer, porém, que a forma como escolhemos alguém pode significar que rejeitamos o outro. Isso não é bom para a Igreja e demonstra que sentimentos incompatíveis com o Corpo de Cristo ainda atuam em nós. Nem Cristo, nem Paulo, nem Apolo, nem Pedro permitiriam que suas vidas fossem referências para divisões na Igreja.

Mas os nossos irmãos de Corinto satisfaziam seus desejos carnais dessa forma. Paulo, então, os corrige dizendo que a ação deles àquela Igreja ocorreu somente pela graça de Deus (1Co 3.5, 7, 10). Então, por que a divisão? Será que foi provocada porque se identificaram com as qualidades de Paulo, Apolo ou Pedro? Mesmo que fosse pelas qualidades, não justificaria a divisão. Quem eram esses homens? Paulo foi o fundador daquela Igreja, mas sua autoridade apostólica era questionada, pelo menos por parte da Igreja. Pedro era apóstolo, andou com Cristo, mas era um homem simples, um pescador antes de ser apóstolo. Apolo era um homem eloquente, de fácil retórica, mesmo assim ainda precisava aprender mais sobre a Palavra (At 18.24-26). Os que se intitulavam de Cristo erravam, não por haverem escolhido a Cristo, mas porque escolheram a Cristo para rejeitar os outros. Há pessoas que pensam que servem a Cristo sem servir a Igreja. É impossível servir a Cristo e não servir à Igreja, amar a Deus e não amar o irmão. Como disse João: “Se alguém disser: Amo a Deus, e odiar a seu irmão, é mentiroso; pois aquele que não ama a seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê”. João está dizendo que todos nós somos instrumentos para que os outros vejam a Deus por nosso intermédio. Sendo assim, desprezar, discriminar ou rejeitar o irmão e dizer que ama a Deus é uma grande mentira.

Quando a Igreja perde a sua unidade, já está derrotada. Paulo diz isso ao tratar de outra questão que estava ocorrendo entre os irmãos de Corinto e da qual trataremos mais adiante. Paulo vai dizer que somente o fato de haver demandas no seio da Igreja já é completa derrota (1Co 6.7). Ou seja, a Igreja nem sequer poderia sair para as lutas porque já estava derrotada. A unidade da Igreja é, portanto, questão crucial. Enquanto o problema de divisão dentro da Igreja não é solucionado, a Igreja fica imobilizada.

Quem está por traz desse sentimento de divisão é o diabo. Se somos Igreja, crentes em Cristo Jesus para sermos um só corpo nEle, temos de prestar muita atenção em sentimentos que nos levam a escolher um e rejeitar outro, ou em sentimentos de intolerância – que nos levam a ser mais pacientes com um do que com outros, ou a querer se isolar dos outros e não se envolver com as alegrias ou lutas dos irmãos. Qualquer sentimento que nos distância dos irmãos não vem de Deus.

Divisão dentro da Igreja causa estragos muito maiores. Semana que vem falamos mais.

 

Pr. Hilário José

 

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Nossos irmãos de Corinto – Parte 2 (Pregação)

“Porque não me enviou Cristo para batizar, mas para pregar o evangelho;

não com sabedoria de palavra, para que não se anule a cruz de Cristo” (1Co 1.17)

 

No último boletim sumariamos os assuntos que trataremos baseados na vida da Igreja de Corinto. Hoje, vamos começar falando sobre a questão da pregação. A Igreja de Corinto não valorizava a pregação autêntica, mas as elaborações baseadas na sabedoria humana. É claro que para falar um pouco sobre a questão da pregação precisarei de algumas pastorais. Numa somente é impossível sequer introduzir o assunto. Mas vamos tentar.

Em seu livro “Pregação e Pregadores” (1971), D. Martyn Lloyd-Jones inicia dizendo que “a obra da pregação é a mais elevada, a maior e mais gloriosa vocação para a qual alguém pode ser convocado... eu diria, sem qualquer hesitação, que a mais urgente necessidade da Igreja cristã da atualidade é a pregação autêntica; e, posto ser a maior e mais urgente necessidade da Igreja, é óbvio que também é a maior necessidade do mundo.”

Porém, bem antes de Lloyd-Jones, a primazia da pregação já era compreendida como uma necessidade. Jesus priorizou a pregação e nos mandou pregar: “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura” (Mc 16.15). Os apóstolos também priorizaram a pregação. O livro de Atos dos Apóstolos, que relata o início da Igreja Cristã, é um livro de pregações. Imediatamente após a descida do Espírito Santo, Pedro pregou e outros se seguiram a ele na mesma tarefa. Por onde Paulo passava, pregava, e exortou a Timóteo a pregar a Palavra (2Tm 4.2). Aos Romanos, ele vai dizer que a fé vem pela pregação (Rm 10.17).

Mas os nossos irmãos de Corinto não entendiam assim, tanto que acharam que palavras persuasivas de sabedoria humana poderiam substituir a pregação, por isso, Paulo os reporta ao seu exemplo quando fundava aquela Igreja: “A minha palavra e a minha pregação não consistiram em linguagem persuasiva de sabedoria, mas em demonstração do Espírito e de poder, para que a vossa fé não se apoiasse em sabedoria humana, e sim no poder de Deus” (1Co 2.4,5). Mais diante, ao falar da sua própria vocação, ele diz: “Se anuncio o evangelho, não tenho de que me gloriar, pois sobre mim pesa essa obrigação; porque ai de mim se não pregar o evangelho!” (1Co 9.16).

Dou graças a Deus pois minha formação espiritual se deu ouvindo a pregação da Palavra de Deus. Tenho certeza que minha fé se aperfeiçoou por meio das muitas pregações que falavam ao meu coração durante anos ininterruptos. Agradeço a Deus pelos pastores que se gastaram no preparo de sermões que me alimentaram por décadas. Nada poderia substituir as pregações, fossem livros, programas de TV, seminários ou qualquer outra forma de capacitação. A pregação bíblica é um mistério que o homem não é capaz de entender por meio da sua limitada sabedoria. Talvez, por isso, os nossos irmãos de Corinto pensavam que qualquer coisa poderia substituir a pregação. Para eles, era loucura insistir repetidamente na pregação que centraliza a cruz e o Cristo que ali morreu. Paulo então vai responder a essa postura dizendo que “a palavra da cruz é loucura para os que se perdem, mas para nós, que somos salvos, poder de Deus... mas nós pregamos a Cristo crucificado... poder de Deus e sabedoria de Deus” (1Co 1.18,23,24).

Hoje, há muitos crentes fracos e eu não temo avaliar que a causa está em não estarem se alimentado adequadamente com boas pregações bíblicas, expositivas, ungidas, autênticas, que apontam sempre para Cristo e para o poder do Evangelho. A Igreja de Corinto negligenciou a pregação, achou que podia viver sem a pregação e entendeu que algo poderia substituí-la, por isso estavam mergulhados nas obras da carne.

Semana que vem prosseguimos nesse assunto.

 

Pr. Hilário José

 

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Temos uma firme esperança: Jesus ressuscitou

 

Jesus Cristo está vivo. Esta é a mensagem cristã. De fato, disse o apóstolo Paulo, Jesus ressuscitou. Mais ainda, Paulo disse que nós também ressuscitaremos. Jesus foi o primeiro de uma série. “Mas, de fato, Cristo ressuscitou dentre os mortos, sendo ele as primícias dos que dormem" (1Co 15.19,20).

Quando Paulo fez esta afirmação, foi num contexto maior, do capítulo 15 da Primeira Epístola aos Coríntios, em que o apóstolo faz um registro testemunhal do fato incontestável da ressurreição de Cristo. Mas o capítulo 15 está num contexto ainda maior. Quando estudamos a vida daqueles crentes de Corinto, vemos uma igreja mergulhada no pecado, fraca na fé e no amor, e incrédula. Essa incredulidade colocava justamente em dúvida o fato da ressurreição, que é a razão da esperança dos que creem. Que adianta uma fé que não aponta para uma vitória, que de fato ocorreu na ressurreição de Cristo? É por isso que Paulo argumenta que seríamos os mais infelizes dos homens se a nossa esperança em Cristo se limitasse apenas a esta vida.

Porém, ainda hoje muitos crentes têm vivido uma fé limitada, como os coríntios. Muitos são infelizes porque seus olhos enxergam apenas esta vida. Todos sabemos que esta vida tem um limite, basta olharmos as lápides dos cemitérios. Lá estão as datas de início e fim desta vida aqui. Realmente, olhar apenas para esta vida é muito triste, pois de uma hora para outra tudo acaba, tudo se desmancha, tudo se vai. Se fôssemos capazes de pensar nesta vida apenas sob o ponto de vista do que temos aqui neste mundo, não restaria outra coisa a não ser a tristeza e a desilusão. Ainda bem que enxergamos além.

A ressurreição de Jesus Cristo diz que há algo mais e mais glorioso. Estamos vivendo esta vida aqui, mas há algo mais, sim, que podemos esperar, porque Cristo nos abriu a porta da eternidade quando venceu a morte. Portanto, não se permita olhar apenas para esta vida. Levante os olhos, há muito mais a ser vivido e quem nos conquistou esta dádiva foi Jesus. Viver apenas em função desta vida e do que ela é capaz de fazer por nós é viver limitado a um breve espaço de tempo, que logo passa. No entanto, quando cremos na ressurreição dos mortos, conquistada pelo Salvador, só temos que pensar que o melhor ainda virá. Quando passamos a viver esta vida na perspectiva da vida além, tudo se transforma, passamos a ter outra motivação. A dedicação é outra, não passageira, pois sabemos que vivemos para uma vida além desta. A pior situação na vida é viver em função do que é efêmero, e muitos estão escolhendo viver assim. Mas quem crê na ressurreição sabe que tudo está apenas começando e o futuro será bem melhor.

Vamos viver esta vida com força e alegria, mas não nos limitemos apenas a ela. “Metade da glória celeste, jamais se contou ao mortal” (SH 563). De fato, Cristo ressuscitou dentre os mortos, sendo Ele as primícias dos que dormem. Há uma vida além, muito melhor que esta. Esta vida que vivemos agora é apenas para nos prepararmos, conquistando a fé que nos fará acessar a eternidade com Deus. É certo que um dia estaremos frente a frente com o Salvador, e aí poderemos cantar: “Sim, há de ser glória sem par, junto a Jesus, glória sem fim. Quando ao Senhor eu puder contemplar, glória das glórias será para mim” (SH 565).

Pr. Hilário José

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Mente e coração

“Guardo no coração as tuas palavras,

para não pecar contra ti” (Salmo 119.11)

 

O coração determina para onde vamos. Ele é quem nos governa. Jesus disse que onde estiver o nosso tesouro ali estará o nosso coração (Mt 6.21). Em Provérbios está escrito (4.23): “Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o coração, porque dele procedem as fontes da vida”. Ou seja, o coração é uma área estratégica da vida e deve ser bem guardado, pois ele é quem nos faz ter momentos alegres, mas também pode nos levar a sofrimentos. Como cuidar do coração?

O coração é alimentado pelo que pensamos, o que vemos, o que interpretamos da vida e como julgamos cada coisa. Sendo assim, podemos dizer que a nossa mente alimenta o nosso coração. É por isso que o apóstolo Paulo vai dizer que o nosso culto verdadeiro começa pela renovação da nossa mente e a não conformação com este mundo, para somente então experimentarmos qual seja a boa, perfeita e agradável vontade de Deus (Rm 12.1,2).

O mundo, a carne e o diabo querem influenciar nossas mentes. Olhemos para a televisão, revistas, determinados sites da internet, ouçamos rádios etc. Eles são meios pelos quais podemos alimentar o coração, a vida, enfim. E toda essa influência vem pela mente, pelo que captamos e sem percebermos alimentam o coração e determinam nossos rumos.

No entanto, podemos combater esse tipo de influência, ocupando a mente com o que agrada a Deus (Fl 4.8). Aprendi que o nosso coração é como um coração transplantado, ou qualquer outro órgão transplantado, ou seja, sempre vai precisar de um remédio anti-rejeição, que é a Palavra de Deus. Temos um novo coração em Cristo Jesus, que a nossa natureza caída insiste em rejeitar, querendo que retornemos às práticas antigas, que desagradavam a Deus. Então, até o Dia da redenção necessitaremos de um remédio anti-rejeição, que é a presença de Deus e o andar na sua Palavra.

Sendo assim, enchamos nossas mentes do que é santo, do que é puro, do que agrada a Deus e nos afastemos de tudo o que vem do mundo, da carne e do diabo para influenciar nossas mentes e corações. Não será sem razão que muitos sofrimentos poderão nos assolar.

O que está entrando em seu coração por intermédio da sua mente? O coração nos governa, dirige nossos passos. Ele é alimentado pela mente, pelo que captamos, assimilamos e transformamos em atitudes. Portanto, não vamos mais deixar que o coração seja alimentado pelo que vai nos fazer pecar e sofrer. Sugiro uma oração:

“Senhor, faça-me amar a Sua Palavra e ter forças para rejeitar tudo o que não provém de Ti, que tenta fazer meu coração pecar e afetar toda a minha vida, fazendo-me sofrer”.

 

Pr. Hilário José

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Não apagueis o Espírito (I)

 

Essa foi uma breve recomendação do Apóstolo Paulo aos Tessalonicenses (5.19), porém, com muito significado para a vida de todo crente que precisa estar cheio do Espírito Santo.

Nós sabemos que o Espírito Santo é a pessoa da Trindade Santa que vive em nós. É Ele quem comunica o nosso espírito a Deus, pois Ele é o Espírito de Deus. Paulo, aos Coríntios, explicou esta verdade assim: “...qual dos homens sabe as coisas do homem, senão o seu próprio espírito, que nele está? Assim, também as coisas de Deus, ninguém as conhece, senão o Espírito de Deus. Ora, nós não temos recebido o espírito do mundo, e sim o Espírito que vem de Deus, para que conheçamos o que por Deus nos foi dado gratuitamente” (1Co 2.11,12).

Reparem, irmãos, Paulo afirma que o Espírito Santo é a pessoa pela qual o Pai se comunica conosco, pois o Espírito Santo é o Espírito do Pai, ou seja, o Espírito de Deus, assim como também é o Espírito de Cristo (Rm 8.9), pois os três são um.

O que é, então, apagar o Espírito, que Paulo assevera aos Tessalonicenses? Pois bem, apagar o Espírito é apagar Deus da minha ou da sua vida. Apagar o Espírito é viver sem a presença de Deus e Seu poder. Apagar o Espírito é viver fora de Cristo, pois o Espírito também é o Espírito de Cristo. O mais impressionante dessa palavra de Paulo é que ele considera que a responsabilidade pela presença do Espírito em nós está em nós mesmos. É uma escolha viver no Espírito ou apagá-Lo de nossas vidas.

Viver sem a influência do Espírito é mais comum do que imaginamos. Há muitas pessoas que vivem sem a orientação de Deus por meio do Seu Espírito. Quando Paulo escreve aos Gálatas, por exemplo, ele vai dizer o que se espera de quem anda no Espírito, ou seja, espera-se que essa pessoa demonstre em sua vida o fruto que aponta para a presença do Espírito, que é: “amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio” (Gl 5.22,23).

Quantas pessoas você conhece que não vivem em amor, que não têm alegria, que não encontram paz? Certamente, você conhece alguns crentes que, por exemplo, vivem sem estas três evidências da presença do Espírito. Significa que essas pessoas apagaram o Espírito, extinguiram a presença dEle de suas vidas, portanto, vivem sem o fruto do Espírito. Há muitos crentes que vivem uma paz facilmente abalada, qualquer coisa os desesperam, os enfraquecem, os entristecem, os derrotam. Como é que alguém que tem o Espírito pode ser infeliz, medroso, inconstante, vulnerável? Não pode. A verdade é que há pessoas que apagaram, rejeitaram a ação do Espírito Santo em suas vidas, e muitos desses casos acontecem bem perto da gente.

Ora, se podemos apagar o Espírito, e esta é uma possibilidade afirmada pelo Apóstolo Paulo, significa também que é possível fazer com que o Espírito permaneça aceso em nós, significa que é possível preservar Sua presença e ação em nossas vidas, e preservar Sua presença é ter acesso ao Pai e a Cristo, é viver na plenitude da presença de Deus e debaixo do Seu poder.

O rei Davi também tinha essa percepção, e em outras palavras, numa linguagem mais poética, traduz a sua grande preocupação ao dizer para Deus: “Não me repulses da tua presença, nem me retires o teu Santo Espírito. Restitui-me a alegria da tua salvação e sustenta-me com um espírito voluntário” (Salmo 51.11,12).

Davi nos oferece dicas do que precisamos fazer para preservar o Espírito de Deus em nós e não permitir que seja apagado de nossas vidas. Mas isto é assunto para a próxima pastoral.

 

Pr. Hilário José

 

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