Cuidado com o fermento 

(Mateus 16:5-12)

 

É preciso ressaltar, inicialmente, do que e de quem o Senhor está falando. O versículo 12 nos ajuda a entender que Jesus Cristo, ao contrário do que pensaram os discípulos que estavam com ele, não se referia a uma espécie de fermento propriamente dito, ou seja, não era aquela substância que os padeiros e as donas de casa usam para fazer pão, bolo e pizza. O Filho de Deus fazia alusão à “doutrina” dos saduceus e dos fariseus. Uma doutrina é um conjunto de princípios em que um sistema religioso, político ou filosófico está baseado. Em Lucas 12:1, Jesus é mais contundente e classifica o fermento dos fariseus de “hipocrisia” – o mesmo que fingimento, falsidade, simulação.

Mas quem eram os saduceus e os fariseus contra quem o Senhor precaveu seus discípulos? Aquelas pessoas representavam dois grupos religiosos. Algumas características eram comuns entre eles; outras, porém, eram diferentes. Em Atos 23:6-8, a Bíblia nos revela que os saduceus não criam na ressurreição (cf. 1ª Coríntios 15:14, 17 e 20), nem em espírito, nem em anjos, ao contrário dos fariseus, que criam em tudo isso. Os fariseus eram mais rigorosos quanto à obediência à lei de Moisés e a outros rituais e costumes. A pesar das diferenças que havia entre eles, tanto o grupo dos saduceus quanto o dos fariseus compunham o Sinédrio – que era uma espécie de tribunal que se ocupava com as questões religiosas de Israel. Jesus, antes de ser crucificado, foi preso, julgado e sentenciado por interferência direta desse tribunal (cf. Mateus 26:3-4, 57 e 59; 27:1-2). Os dois grupos exerciam grande influência política e religiosa na sociedade daquela época, semelhantemente à Igreja Católica e ao Islamismo hoje em dia, por exemplo. Outro ponto que tinham em comum era a disposição para contestar os ensinamentos e a autoridade do Senhor Jesus Cristo. É interessante notar que, quando se tratava de fazer oposição a Cristo, os saduceus e os fariseus se tornavam aliados. Você já deve ter percebido que, quando se trata de contestar a Bíblia, pessoas de diferentes credos e até aquelas que não têm uma religião declarada se unem com essa finalidade (cf. 2ª Timóteo 3:16-17).

Então agora fica mais fácil entender qual era o alerta que Jesus estava fazendo aos seus discípulos. O Senhor estava dizendo que o maior perigo que os discípulos podiam enfrentar vinha daquelas pessoas que diziam amar a Deus, mas estavam determinadas a contestá-lo e a seguir a sua própria religião. Será esse o seu caso, prezado leitor? Você também já se contaminou com o tal fermento que Jesus pediu para seus discípulos evitarem? Caso isso tenha ocorrido, saiba que ainda é possível se desintoxicar. Disse Jesus: “Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém comer deste pão, viverá para sempre; e o pão que eu der é a minha carne, que eu darei pela vida do mundo” (João 6:51).

Pr. Albert Iglésia

 

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Um preço a pagar

 

A vida tem um custo que já foi pago por Jesus na cruz do Calvário. Essa é a fé dos que creem no sacrifício de Jesus por toda a humanidade. Paulo vai dizer na Primeira Epístola aos Coríntios que fomos comprados por preço (1Co 6.19,20). Então, a disposição de todo crente deveria ser a de deixar sua vida sob o controle de Jesus Cristo, numa clara manifestação de que tem um dono e admite o Seu senhorio sobre si. Essa é a declaração de fé dos cristãos.

Mas pode não funcionar bem assim na prática, pois muitos ficam apenas na declaração de fé, mas não a vivem. Ocorre que muita gente não abre mão de ter o controle da sua própria vida. Muitos insistem em controlar a si mesmos, governar seus próprios passos, dar à vida o sentido que melhor lhes pareça. Assim a humanidade caminha, pensando que tem o controle de tudo, o que aos olhos de Jesus não é a verdade.

Jesus, então, ensina que ganhar a vida é perdê-la para Ele, é abrir mão de decidir por si só e deixar Deus orientar os passos. Pedro tentou demover Jesus de sofrer a cruz, repreendendo o Senhor naquele momento em que Ele revelava aos discípulos a necessidade de perder Sua vida em nosso favor. Pedro entendeu que todo aquele sofrimento era evitável, a ponto de querer ensinar a Jesus a abandonar aquela ideia. Jesus repreende imediatamente aquela palavra de Pedro, inspirada em Satanás e nos homens. Logo depois Jesus ensina, então, que se poupar é perder, e entregar-se é ganhar. Ele diz assim: “Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me. Porquanto, quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a vida por minha causa achá-la-á. Pois que aproveitará o homem se ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? Ou que dará o homem em troca da sua alma?”(Mt 16.24,25).

Ter o controle da vida, possuir todos os controles na mão, cuidado, pode significar que você esteja perdendo tudo. Tem gente que se sente salvo e seguro somente quando é capaz de controlar tudo em sua vida. Cuidado, esse sentimento é enganoso, pois para Jesus é perdendo que você ganha. Perder para quem? Para Ele. É isso o que Ele está dizendo. Quem controla a sua vida não deixa de entregar sua vida ao controle de alguém. Quando assim o faz, deixa de entregar a vida para Jesus controlar.

Cuidado, pois a segurança promovida pelas próprias mãos tem um custo, bem alto: a própria alma, que se perde. Ao contrário, quem entrega a vida a Jesus, perde o controle, mas recebe a vida de fato das mãos do único que pode doar vida, porque de fato a conquistou.

Você até pode ter o controle da vida, mas não esqueça, existe um preço, que é a própria alma. O preço de uma vida sem Jesus é a própria alma. Entregue, então, sua alma a Jesus, antes que outro lhe engane e, no final da vida, a tome de suas mãos.

 

Pr. Hilário José

 

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Golias é o mesmo para todos

 

O gigante que afrontava o exército de Saul foi o mesmo que Davi destruiu. Era o mesmo Golias e ele afrontou a Davi também. Porém, a reação de Davi e do exército israelita são bem diferentes, conforme registra o primeiro livro de Samuel, no capítulo 17. Nesta pastoral, não gostaria de me ater aos detalhes daquele episódio memorável, mas apenas ressaltar que o problema que todo um exército e Saul não tinham como resolver, Davi resolveu.

Sendo assim, podemos concluir que o problema não estava no problema, que no caso era o gigante Golias. O problema estava na incapacidade de resolver o problema. E Davi dá uma lição de como resolver problemas a todo aquele exército e a Saul.

Tem gente que acha que o seu problema é sempre maior que o do outro. Normalmente, isso leva à murmuração, à comparação, ou a um reclame diante de Deus, como se sofrêssemos mais que os outros. É aquela síndrome de coitado que acometeu a Elias, quando choramingou com Deus que estava sozinho na luta contra a idolatria de Israel. A resposta de Deus ao profeta foi abrir seus olhos, revelando que outros sete mil, semelhantes a Elias, não haviam se dobrado diante de Baal (1Rs 19.18).

Mas é assim mesmo, tem gente que acha que o seu labor é maior, que a vida é mais difícil para si do que para os outros, que os outros foram mais abençoados, que tudo conspira contra sua vida, e por aí vai a murmuração, por anos, tornando-se uma desculpa permanente para não fazer nada para Deus e Sua Igreja. Conheço muita gente assim, que está sempre com um probleminha, que nunca está bem, que nunca está satisfeito e é ávido por reclamar da vida, sempre apontando para a suposta vida fácil do outro.

O Golias é o mesmo para todo mundo, irmãos. A diferença é que nem todos são competentes para enfrentar problemas. A competência de Davi foi a confiança e a dependência em Deus, a coragem, o amor a Deus a ponto de não se conformar em ver o povo dEle ser afrontado. Crentes que reagem como Saul e seu exército são incapazes de lutar com os golias da vida.

Golias desafiou Israel por quarenta dias (1Rs 17.16), até que um dia se deparou com Davi. A Igreja precisa de muitos davis, que olhem para os problemas na confiança do Senhor, que não mais admitam em suas vidas uma inércia espiritual para enfrentar os problemas que todos hão de passar. Que tenhamos crentes capazes de sair das fileiras da covardia para com coragem avançarem na vontade de Deus, ainda que os golias se apresentem para afrontar sua vida e a Igreja.

O problema não são os golias. O problema é quem somos. Quem somos, então? Saul e seu exército incapaz, ou Davi? Cada um que dê a sua resposta.

 

Pr. Hilário José

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Ossos secos, sequíssimos

 

Considero impossível alguém estar envolvido com as necessidades do Reino de Deus e ao mesmo tempo ser uma pessoa insensível. A não ser que esteja morta espiritualmente, é impossível a um crente não se identificar com a obra de Deus e seus clamores. Porém, há muita gente insensível, assim como aqueles ossos sequíssimos de Ezequiel 37.1-14, num vale onde Deus colocou seu profeta para que profetizasse sobre aquele estado de morte.

Precisamos assumir uma postura profética e orar pela Igreja no Brasil (falando do que está mais próximo de nós) para estar sensível às reais necessidades dos homens. Sensível é aquele capaz de discernir os sinais dos tempos; é alguém que não está alheio ao que acontece ao seu redor; é aquele que tem olhos espirituais. Quem tem esta sensibilidade olha e vê igrejas fracas e alheias às reais necessidades do Reino. Isso significa que parte da Igreja está morta, assim como Israel, representada por aqueles ossos secos.

Deus perguntou a Ezequiel se era possível aqueles ossos reviverem. Era uma situação de morte. O texto fala de levantar de sepultura, de reviver, ou seja, termos que apontam para a falência física e, naquele caso, falência espiritual. Assim é com a Igreja que desobedece aos mandamentos do Senhor; chega um dia em que morre, e a insensibilidade é uma característica de quem já morreu. Quantos temos em nosso meio que não se deram conta de que já estão mortos para a sua vocação e a missão que Deus lhes confiou?!

Não pode ser assim com a Igreja de Cristo. Viajando pela Amazônia, vi muitas necessidades. Todas elas falaram comigo e com o grupo que comigo avançou por aqueles rios durante oito dias. Não foram poucos os momentos de lágrimas, por dois motivos: por vermos o Evangelho avançando, mesmo com pouco apoio das igrejas; mas também por vermos que ainda há muito a ser feito. As histórias que vimos e ouvimos lá não são histórias dos outros, são nossas, minhas especialmente, mas suas também. É assunto da Igreja. Porém, onde está a Igreja? Onde estão os crentes? Há muitas igrejas, há muitos crentes, mas o que eles têm a ver com toda essa necessidade? É cada um pensando em si mesmo e esquecendo do outro. Que Igreja é esta?! Não é a de Cristo, certamente, pois Ele abriu mão de tudo, fez-se pobre por nós, para que enriquecêssemos (2Co 8.9). A Igreja de Cristo, que é o Seu corpo, não deveria estar tão distante do Seu Cabeça.

Vale de ossos secos. Insensibilidade. Morte. Oremos para que, assim como aqueles ossos assumiram vida, também os que estão insensíveis às necessidades do Reino também revivam em obediência ao chamado que receberam. A promessa era sobre Israel, que um dia se levantaria. Esse dia está chegando para Israel. E para nós, a Igreja e Cristo, o Israel de Deus?

 

Pr. Hilário José

 

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O perigo das riquezas deste mundo

Lc (18:18-23)

O texto que nos serve de referência não é mais uma parábola contada por Jesus (obviamente, sem desmerecê-las) e também não é uma simples história de ficção registrada pelo evangelista. Trata-se de um fato real que já acontecia nos tempos do Senhor e que, infelizmente, vem se tornando mais constante nos dias atuais. Muitas pessoas se acham tão comprometidas com os valores materiais deste mundo que acabam desprezando os valores morais e espirituais do Reino de Deus. Elas acabam ganhando este mundo, mas também acabam perdendo a vida eterna.

Você e eu sabemos o que significa ser um “homem importante” numa sociedade. Geralmente, pessoas com esse atributo têm uma bela casa, uma boa fonte de renda, uma mesa farta de comida, belas roupas, um bom carro etc. Um “homem importante” quase sempre não tem contas atrasadas, problemas quando o filho fica doente (porque o leva nos melhores médicos e melhores hospitais), problemas quando o gás acaba, o aluguel vence etc.

Entretanto aquele “homem importante”, apesar de ter uma admirável condição social, algo ainda lhe faltava: a vida eterna (v. 18). Observe que ele pergunta exatamente para Jesus o que deveria fazer para herdá-la. No fundo, ele (assim como você e eu) sabia que a vida não se resume apenas ao que nossos olhos podem ver e nossas mãos podem tocar. Por trás daquela aparente segurança, havia uma alma aflita e necessitada da certeza que só Jesus Cristo pode dar a qualquer homem, seja ele importante ou não na sociedade em que vive.

Aquele “homem importante”, apesar de ser um religioso, não estava salvo da condenação que há de vir sobre o mundo impenitente (v. 21). Jesus concordou com o fato de que ele, de fato, observava os mandamentos da Lei de Moisés (v. 20). Desde sua juventude, ele praticava alguns rituais, mas infelizmente não havia experimentado o novo nascimento. A regeneração não vem por obras, mas pela fé no Filho de Deus e pela operação do Espírito Santo no coração do homem arrependido. Só quem a experimenta pode amar a Deus acima de tudo e de todos.

Jesus aproveitou o diálogo para ensinar àquele “homem importante” os dois fundamentos do Reino (v. 22): o amor a Deus e o amor ao próximo (Mc 12:30-31). Jesus promete que, ainda nesta vida, por causa do Reino de Deus, receberemos mais do que tudo aquilo que deixamos e, no futuro, herdaremos a vida eterna (Lc 18:29-30).

Infelizmente, a reação daquele “homem importante” não correspondeu ao que Jesus esperava (v. 23). O homem ficou triste com o que ouviu de Cristo. Ao que parece, foi embora chateado e não herdou a vida eterna, justamente o que lhe faltava. Será que você também vai ficar triste, chateado com tudo o que leu e deixar este boletim de lado sem herdar a vida eterna? Eu espero que não.

Pr. Albert Iglesia 

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